quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Brotas corre o risco de secar e provocar colapso no Pajeú




Segundo maior reservatório do Sertão do Pajeú, uma das regiões mais atingidas pela maior seca dos últimos 50 anos, a barragem de Brotas, com capacidade para armazenar 26 milhões de metros cúbicos de água, corre o risco de virar leito esturricado se não chover. O manancial está com 40% do seu potencial.

Por dia, mais de 100 caminhões pipas retiram água do reservatório para suprir as necessidades de vários municípios do Pajeú e da zona rural de Afogados da Ingazeira, onde a estiagem transformou em pó barreiros, açudes e poços. Segundo denúncia de um leitor deste blog, até alguns municípios da Paraíba estão recebendo água de Brotas.

“Daqui não sai menos de 150 caminhões pipas por dia”, diz o pipeiro Julian Brito, mais conhecido como “Borrego”. Contratado pelo Governo do Estado, através do IPA, ele abastece comunidades sedentas do interior de Afogados da Ingazeira. E pipeiros pagos pelo Ministério do Exército sangram Brotas para matar a sede de famílias em São José do Egito, Tabira, Carnaíba e Tuparetama.



Do alto do reservatório, cujas paredes de sustentação se localizam no bairro de Brotas, a 3 km do centro de Afogados da Ingazeira, a impressão é de que ainda existe muita água para ser consumida e, quem sabe, suficiente para atravessar a longa jornada de estiagem e de dificuldades no Pajeú.

Mas basta chegar ao local onde os pipeiros instalaram uma bomba para retirada do líquido, nas proximidades do sítio de José Coió, já em direção ao centro de lazer do Banco do Brasil, para se deparar com uma realidade cruel: ali, uma crosta enorme de barro e lama se formou onde antes havia água.

“Nesse ritmo, e se não chover até o final de dezembro, a barragem não vai suportar a carga que enfrenta hoje”, diz Julian. Só ele retira em torno de quatro a cinco caminhões pipas ao longo do dia. O município que mais consome água de Brotas, hoje, no Pajeú, é São José do Egito, terra dos poetas e glosadores.



O berço do repente e da viola enfrenta uma situação dramática. Os dois reservatórios que abasteciam a cidade secaram, levando a população, desesperada, a disputar um caneco de água nas ruas, em cisternas improvisadas nos bairros e no centro.

“Boa parte da água que a gente consome aqui, hoje, vem de Afogados da Ingazeira”, diz o servidor público Antônio Lopes Nascimento, encontrado na fila de um bairro popular de São José do Egito a espera do carro pipa com o líquido retirado da barragem de Brotas. A água não é tão boa, tem alta concentração de sal, mas mesmo assim muita gente bebe dela.

Em um recente encontro de prefeitos em Afogados da Ingazeira, um técnico ligado ao Instituto de Metereologia anunciou, sem arrodeios, que as previsões de chuva na região são as mais inseguras possíveis. Há quem ache que irá chover agora em dezembro, como também técnicos mais pessimistas apontam para um cenário de regularização das precipitações pluviométricas em meados de março.

“Se isso ocorrer, ou seja, se só voltar a chover em março, a barragem de Brotas seca em dezembro, sendo mais otimista, em janeiro”, diz Pedro Hortêncio da Silva, morador do bairro de Brotas, que assiste ali, todos os dias, uma fila incessante de pipas retirando água do reservatório e levando para os mais diversos pontos de abastecimento da região.



Na mesma reunião, na presença do prefeito eleito de Afogados da Ingazeira, José Patriota (PSB), que já alertou ao Governo quanto ao risco da barragem secar, outro técnico ligado ao Instituto de Metereologia afirmou que a grande retirada de água não representa a maior ameaça.

“O que se evapora de Brotas por dia é muito maior do que o que se retira dela”, disse o mesmo técnico. Se Brotas vier a secar não restará alternativas ao município, até porque a adutora do Pajeú, que puxa água de Itaparica, ainda não tem previsão de chegar à cidade. Nem mesmo a primeira etapa, que suprirá a demanda de Serra Talhada, foi concluída. 
(magnomartins)

Nenhum comentário:

Postar um comentário